REGENTE (por 3 vezes)
& IMPERATRIZ "de Jure" DO BRASIL (05.12.1891 - 14.11.1921)
29.07.1845 – 14.11.1921
Dona Isabel I – A Redentora dos Escravos
Pequena biografia
Uma Mulher de Fibra para o século XIX
Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga Bourbon de Orleáns e Bragança, nasce no Palácio
de São Cristóvão, Rio de Janeiro, em 29 de julho de 1846.
Filha de Sua Majestade o Imperador Dom Pedro II e de Dona Teresa Cristina, era a terceira do casal imperial, e
tornou-se Legítima Herdeira da Coroa Brasileira quando do falecimento de seus dois primeiros irmãos varões os Príncipes Dom
Afonso e Dom Pedro.
Na condição de Princesa Imperial, título que cabe, até os nossos dias, somente ao herdeiro do Trono Imperial segundo
prescreve a Constituição do Brasil, S.A.I. Dona Isabel cresceu em um lar muito saudável, onde imperava o respeito mútuo entre
os pais: “Cara Teresa. Estimo que tenhas passado bem, assim como as pequenas que, graças a Deus, sei que gozam de
saúde, e a quem darás dois beijinhos de mimha parte. Adeus e um abraço bem apertado de seu afeiçoado esposo. Pedro.”
Junto com sua irmã, Dona Leopoldina, a jovem princesa recebeu educação condizente com sua condição de Hedeira da
Coroa Imperial Brasileira. Para se ter uma idéia de sua exaustiva maratona educacional, basta observarmos seu programa de
férias em Petrópolis, descrito por seu pai:
“_ Assisto às lições de Sapucaí, de inglês e de alemão, dadas às minhas filhas. Nas segundas-feiras
lerei a elas Barros, das 7h30 às 8 da noite; terças, Lusíadas, das 10h30 às 11 da manhã;; das 3 às 4, dar-lhes-ei lições de
matemática, e latin das 7h30 às 8 da noite. Domingos e dias santos, leitura de Lucena durante uma hora, e meia hora de leitura
do Jardim das Raízes Gregas, à noite.”
As diversões das princesas ficavam por conta de jogos de salão e representações teatrais no próprio palácio. Eram
as “festas das meninas”, de que estavam excluídos políticos e meninos. As princesas viam transcorrer sua juventude,
entre aulas de latim, alemão, inglês, botânica, mitologia, história sagrada, matemática além de leitura dos evangelhos ao
sábados.
Como únicas herdeiras de Sua Majestade o Imperador, as princesas precisavam se casar para assegurar logo a descendência
imperial. Para isso, o augusto Imperador Dom Pedro II pediu ajuda a parentes que viviam na Europa: sua irmãs, Dona Januária
e Dona Francisca, o cunhado Dom Fernando, viúvo de sua falecia irmã Dona Maria II, Rainha de Portugal, e a madrasta Dona Amélia.
Primeiramente pensou-se no jóvem Duque de Penthièvre, filho de Dona Francisca, mas a escolha recaiu sobre dois dos sobrinhos
desta, Dom Augusto de Saxe-Coburgo Gotha – Duque de Saxe, e Dom Luís Gaston d’Orleans – Conde d”Eu
(pronuncía-se "dê"). Ambos netos de Dom Luís Felipe, Rei de França.
A intenção de Sua Majestade o Imperador era casar Dona Isabel com Dom Augusto e Dona Leopoldina com o Conde d’Eu.
No entanto, contrariando um costume da época, as princesas receberam autorização de seu augusto pai e puderam escolher entre
os dois canditados. “Chegaram o Conde d”Eu e o Duque de Saxe. Meu pai pensava no Conde para minha irmã e no
Duque para mim. Deus, mas os nossos corações decidiram diferente”. Escrevia Dona Isabel. Em um mês resolveram-se
todas as formalidades legais e a Sua Alteza Imperial unira-se ao Conde d”Eu que afortunadamente estaria à seu lado por
toda sua vida.
O novo casal imperial passou a residir no bairro carioca das Laranjeiras, exactamenta no Palácio Guanabara, e em
Petrópolis. Desde então, esses palácios passaram a ser refúgio de escravos fugidos. Sua Majestade o Imperador concedeu merecidas
e justas honras de Marechal de Exército ao genro, que, pelo contracto nupcial, receberia o título de Imperador consorte, sem
quaisquer responsabilidades ou deveres constitucionais e também desde que tivesse com a princesa herdeira filho varão chamado
ao Trono do Brasil, não tomando, volto a dizer, parte alguma nas decisões da Chefia-de-Estado de sua mulher.
É muito importante relembrar que, o Conde d’Eu, compartilhava com a Família Imperial da mesma idéia a respeito
da escravidão: “É difícil sonhar com país mais belo. Só há um aspecto negro, e bem negro, é a natureza criminosa
do trabalho que serve de base a toda essa opulência. Reformar esse ponto sem transformar em deserto os campos onde brilham
os cafeeiros, eis o problema sobre o qual teria muito a dizer”.
Mais tarde, em sua primeira visita à Europa, S.A.I. Dona Isabel escrevia ao pai para agradecer a educação recebida.
“Oh! Quanto lhe agradeci no meu interior de me ter ensinado e de me ter dado mestres de modo que agora compreendo
a maior parte das coisas que vejo, ainda que ignore muito”. Entre seus mestres estavam a Condessa do Barral, por
quem manteria afinidade e admiração por toda vida.
Mas sempre havia tempo para os passeios solitários. E, nos momento de intimidade, Dona Isabel corrigia o português
de seu marido e juntos liam Walter Scott, Tocqueville, Octave Feuillet, autores famosos da época. Em sua segunda viagem à
Europa, S.A.I. Dona Isabel recebeu o chamado urgente da Áustria, onde sua irmã, após ter o quarto filho, passava mal e queria
vê-la. Mas a visita não foi possível, Dona Leopoldina estava com tifo e morreu pouco depois, com apenas 24 anos de idade.
Foi grande a angústia de Dona Isabel e ela relata isso em carta aos pais: “Não tenho ânimo de fazer nada,
senão rezer e chorar. Lembrem-se de que ainda tem uma filha, que tanto os ama. Pelo amor de Deus, não fiquem doentes”.
Por esse motivo, retornaram ao Rio de Janeiro. E, no mesmo ano, seus pais, resolveram viajar para a Europa com o intuito de
verificar a qualidade de vida levada por seu netos órfãos, na Áustria.
Durante a ausência do pai, S.A.I. Dona Isabel assumiu a Chefia-de-Estado do Brasil, na qualidade de Regente aos
25 anos de idade. No período em que exerceu o Poder Moderador, no Governo do Presidente senhor Visconde do Rio Branco, entre
7 de maio de 1971 à 31 de março de 1873, sancionou a “Lei do Ventre Livre”, que libertava todos os filhos que
nascessem de mãe escrava.
Nesta mesma época, S.A.I. ficara grávida, mas infelizmente perdera a criança. Em julho de 1874, em viagem à Europa,
nascia morta uma menina. Em 1875, nasceu Dom Pedro de Alcântara, reconhecido pelas Côrtes Brasileiras na qualidade
de Príncipe do Grão-Pará, seu legítimo successor à Coroa Brasileira. Mas tarde, já adulto, o Príncipe Dom Pedro casou-se
com a Condessa Elizabeth Dobrzensky, de Áustria, que por sinal não era de linhagem real para que este pudesse manter sua condição
de Herdeiro do Brasil. Em 1878, S.A.I. Dona Isabel teria outro filho, Dom Luís, que casou-se com a Princesa Dona Maria
Pia de Bourbon, da Sicília, e atualmente é Sua descendência a real herdeira dos direitos dinásticos Brasileiros. Por último,
lhe nasceu Dom Antônio, morto ainda solteiro pilotando um avião de guerra quando da Primeira Guerra Mundial.
Dona Isabel procurou dar uma formação democrática aos filhos, matriculando-os no colégio do Padre Moreira, freqüentado
pelas crianças simples da Cidade Imperial de Petrópolis.
Voltou a assumir a Regência do Brasil em 26 de março de 1876, quando da viagem de Seu augusto pai aos Estados Unidos,
até 27 de setembro de 1877. em sua terceira regência, iniciada em 5 de janeiro de 1887, S.A.I. a Regente, em nome do Imperador,
Seu pai, aceitou a renúncia do governo escravocrata do Presidente senhor Barão de Cotegipe e aceitou a designação da Câmara
dos Deputados para nomear como novo Presidente do Governo o Conselheiro Sr. João Alfredo Correia de Oliveira.
O novo governo imperial impôs uma rápida tramitação à lei que abolia a escravidão definitivamente, porém sem qualquer
indenização aos proprietários de escravos. Esta lei, conhecida como “Lei Áurea”, fora sancionada por S.A.I. a
Regente, então com 41 anos de idade, portando uma caneta banhada à ouro, a qual assinava um dos documentos mais importantes
da História do Brasil, em 13 de maio de 1888, que borrava, definitivamente, a mancha da escravidão no último país do novo
mundo ainda a possuir tal sistema de trabalho.
A decisão valeu à S.A.I. a Regente a condecoração da Rosa de Ouro, concedida pelo Papa Leão XIII. Ao ouvir a notícia
da assinatura da Lei Áurea, Seu augusto paí, o Imperador mandou-lhe um telegrama à filha, com os seguinte dizeres: “Abraço
à Redentora”.
O ex-Presidente do Governo, senhor Barão de Cotegipe, ainda membro do Congresso, veio cumprimentar-lhe e ao beijar
Sua mão, disse: “a Senhora ganhou a partida, mas perdeu seu trono”. É certo que o mérito não foi apenas de Sua
Alteza Imperial, mas seu interesse pela causa foi de fundamental importância para o desenrolar da libertação dos negros –
todo negro brasileiro, não importando sua condição social hoje, invariavelmente deve à esta corajosa mulher do século XIX
a sua condição de homem livre. Se não fora ela, não seriam os republicanos que os libertariam, e como já descrito acima, fora
por causa deste importante passo da Monarquia Brasileira que os aristocratas apoiaram o golpe que instaurou a república no
Brasil – uma vingança à golpes rápidos e muito quentes.
Os fazendeiros escravocratas, sustentáculos da política imperial, abandonaram o Imperador. E disso, já sabia muito
bem S.A.I. a Regente antes de assinar tal lei.
Por seu gesto, foram liberto todos os escravos, não por políticos de tendências liberais, não por conservadores,
não por militares, e muito menos por insignificantes republicanos golpistas – mas por uma MULHER, então Princesa Imperial
e Regente de um Brasil ainda machista e não pouco escravocrata.
Por detrás de sua assinatura havia o clamor de diversas pessoas que lutaram junto com ela para que tal lei fosse
criada e implantada. Através deste ato, seu nome ficaria definitivamente na História.
Mas quem era essa mulher, que regeu o Brasil por três vezes numa época onde somente os homens dominava a política?
Patrocinio, orador popular pela libartação daqueles cativos, escrevera no livro: “Os reis criam princesas. O Imperador criou uma mulher”.
Em novembro de 1889, um golpe militar derruba o Governo Imperial do Presidente senhor Visconde de Ouro Preto e
instantaneamente instaura, provisioriamente, a república. Junto com Sua famíla, Dona Isabel a Redentora, seguiu para o exílio,
de madrugada, por medo dos golpistas de uma revolução popular caso vissem seu Imperador sendo exilado à luz do dia.
“ É com o coração partido de dor que me afasto de meus amigos, de todos os Brasileiros e do país
que tanto amei e amo, para cuja felicidade esforcei-me por contribuir e pela qual continuarei a fazer os mais ardentes votos.
Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1889.
Isabel
Condessa d”Eu”
“com saudades de Petrópolis, de minha casa, do meu jardim e de minhas amigas…”
Mas seria sempre lembrada como Dona Isabel, a Redentora dos Escravos.
Ainda no navio que a levava para o exílio, teria dito a André Rebouças: “ Senhor Rebouças, se houvesse
ainda escravos no Brasil, nós voltaríamos para libertá-los”. (nos dias de hoje, vejo a importância dos descendentes
da Redentora no combate à escravidão que ainda existe no Brasil, hoje sob outra forma e até mais grave, não somente de elementos
negros, mas também de brancos e outras raças – que apoiados pela Nação, sejam restituídos ao legítimo Herdeiro os poderes
pelos quais poder-se-á por fim à essa mancha de corrupção e escravidão soltos pelo Brasil do terceiro milênio).
Sua Alteza Imperial, Dona Isabel I, ‘de Jure” Imperatriz do Brasil, veio a falecer no Castelo d”Eu,
aos 14 de novembro de 1921.
por Yitzhak Katan