A CLAVA FORTE

Desembarque da Família Real - 1808
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8 de Março - Cidade do Rio de Janeiro

Dom João VI
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Dom Pedro I

Desembarque da Família Real Portuguesa

Na Cidade do Rio de Janeiro

 

A vinda da família real para o Rio de Janeiro foi um acto político-estratégico da maior importância para a Coroa Portuguesa, gerando com sua permanênica conseqüências muitíssimos positivas para o Brasil.

A população, bastante eufórica desde a notícia vinda de Salvador, em janeiro, sobre a chegada da Família Real ao Brasil, reunía-se nas cercanias possíveis do cais do porto a acompanhar a movimentação das tropas em preparação para o desembarque de Sua Majestade, a Rainha Dona Maria I e Seu filho o Príncipe Regente Dom João, pela primeira vez em solo Brasileiro.

A Banda Marcial da Brigada Real de Marinha (hoje do Corpo de Fuzileiros Navais), bem como as tropas ali presentes, envergavam vistosos uniformes para recepção da Família Real, executando vibrantes dobrados e marchas, seguidos de numerosas salvas de canhão, provocando na população irremediável sensação de júbilo.

Enquanto a guerra assolava a Europa, com o território Português acossado pelos franceses, toda a Administração Portuguesa, liderada pela Coroa, em seu maior golpe de astúcia política, transmigraram ao Vice-Reino do Brasil instalando-se no Rio de Janeiro, que naquela altura já era a capital do país. Há quem diga, numa frase muito feliz, que de certo modo a Metrópole virou colônia e a Colônia virou metrópole.

Com a presença da Corte no novo mundo, o país se transformou, em muitíssimos níveis – mas não relatarei isso aqui. No plano das relações internacionais, o Brasil tornáva-se livre nas suas relações comerciais, concentrou o poder imperial em solo Brasileiro, donde todas as demais colônias ultramarinas agora lhes devia obediência.

Saibam, prezados leitores, que o Brasil fora o único vassalo português a preservar "o selo da Coroa", sempre manifestara a esperança de que ele oferecia aos lusitanos um último e seguro abrigo caso as grandes transformações e catástrofes, de que os séculos oferecem tantos exemplos, violando a sua nacionalidade e até mesmo independência, obrigando-os a abandonar em grandes massas o solo sagrado da pátria.

Se não é de vossos conhecimentos, saibam que já ao tempo da fundação de Salvador e ao longo do reinado de Dom João III, tratou-se, pela primeira vez sobre a hipótese de invasão do Reino, e conseqüentemente, da possibilidade de transferir seus vassalos e a própria Coroa à América, que proporcionaria a base ideal para a reorganização e reconquista da mãe pátria, devido à sua posição estratégica, superior à dos Açores, demasiado próximos, e da Índia, demasiado distante.

Sim, o Brasil era quem possuía o melhor dos dois mundos. Sua navegação era fácil, segura e rápida, de modo que com muita facilidade poder-se-ia cá vir e tornar quando quiser-se ou ficar-se de morada. As dimensões continentais do Brasil permitiam abrigar toda a população do Reino, daí o tema do Brasil refúgio entroncava-se com outro tópico muitíssimo caro, que era o da construção de um "grande império" na América - o Príncipe Regente Dom João, ao contrário da historiografia oficial brasileira caluniante, não fugiu, pois numa fuga não poderia ter tempo para trazer tudo o que trouxe para o Brasil - ao contrário, executou um velho projeto de seus antepassados ante as circunstâncias periculosas ao seu Reino, e o fêz muitíssimo bem.

Dessa maneira, deliberando-se em Portugal, como consta de sua história, elevou-se o Brasil a Reino, indo para lá a Rainha e toda Sua Corte, tão grande era a capacidade deste país. Portugal não tinha outra região mais fértil, mais próxima nem mais frequentada, nem também os seus vassalos melhor e mais seguro refúgio do que o Brasil.

Decorridos cento e cinqüenta anos do projeto de Dom João IV, é Dom João VI o seu executor em praxe, quando das invasões napoleônicas na Europa.

Ao que o Brasil é hoje, de seu melhor carácter, devemos à esse grande estadista, que por destino sucedeu à seu irmão primogênito falecido, vindo a tornar-se Dom João VI, Rei de Portugal e Imperador Titular do Brasil até o dia de seu passamento.

 

Feliz dia 8 de Março á todos os Brasileiros - Devemos à el Rey a gratidão pela nossa cidadania!

Isaac Frank Katan

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