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Desembarque da Família Real Portuguesa
Na Cidade do Rio de Janeiro
A vinda da família real para o Rio de Janeiro foi um acto político-estratégico
da maior importância para a Coroa Portuguesa, gerando com sua permanênica conseqüências muitíssimos positivas para o Brasil.
A população, bastante eufórica desde a notícia vinda de Salvador,
em janeiro, sobre a chegada da Família Real ao Brasil, reunía-se nas cercanias possíveis do cais do porto a acompanhar a movimentação
das tropas em preparação para o desembarque de Sua Majestade, a Rainha Dona Maria I e Seu filho o Príncipe
Regente Dom João, pela primeira vez em solo Brasileiro.
A Banda Marcial da Brigada Real de Marinha (hoje do Corpo de Fuzileiros
Navais), bem como as tropas ali presentes, envergavam vistosos uniformes para recepção da Família Real, executando vibrantes
dobrados e marchas, seguidos de numerosas salvas de canhão, provocando na população irremediável sensação de júbilo.
Enquanto a guerra assolava a Europa, com o território Português acossado
pelos franceses, toda a Administração Portuguesa, liderada pela Coroa, em seu maior golpe de astúcia política, transmigraram
ao Vice-Reino do Brasil instalando-se no Rio de Janeiro, que naquela altura já era a capital do país. Há quem diga, numa
frase muito feliz, que de certo modo a Metrópole virou colônia e a Colônia virou metrópole.
Com a presença da Corte no novo mundo, o país se transformou, em muitíssimos
níveis – mas não relatarei isso aqui. No plano das relações internacionais, o Brasil tornáva-se livre nas suas relações
comerciais, concentrou o poder imperial em solo Brasileiro, donde todas as demais colônias ultramarinas agora lhes devia obediência.
Saibam, prezados leitores, que o
Brasil fora o único vassalo português a preservar "o selo da Coroa", sempre manifestara a esperança de que ele oferecia aos
lusitanos um último e seguro abrigo caso as grandes transformações e catástrofes, de que os séculos oferecem tantos
exemplos, violando a sua nacionalidade e até mesmo independência, obrigando-os a abandonar em grandes massas o solo sagrado
da pátria.
Se não é de vossos conhecimentos, saibam
que já ao tempo da fundação de Salvador e ao longo do reinado de Dom João III, tratou-se, pela primeira vez sobre a
hipótese de invasão do Reino, e conseqüentemente, da possibilidade de transferir seus vassalos e a própria Coroa à América,
que proporcionaria a base ideal para a reorganização e reconquista da mãe pátria, devido à sua posição estratégica, superior
à dos Açores, demasiado próximos, e da Índia, demasiado distante.
Sim, o Brasil era quem possuía o melhor dos
dois mundos. Sua navegação era fácil, segura e rápida, de modo que com muita facilidade poder-se-ia cá vir e tornar quando
quiser-se ou ficar-se de morada. As dimensões continentais do Brasil permitiam abrigar toda a população do Reino, daí o
tema do Brasil refúgio entroncava-se com outro tópico muitíssimo caro, que era o da construção de um "grande império"
na América - o Príncipe Regente Dom João, ao contrário da historiografia oficial brasileira caluniante, não fugiu, pois numa
fuga não poderia ter tempo para trazer tudo o que trouxe para o Brasil - ao contrário, executou um velho projeto de seus antepassados
ante as circunstâncias periculosas ao seu Reino, e o fêz muitíssimo bem.
Dessa maneira, deliberando-se em Portugal, como consta de
sua história, elevou-se o Brasil a Reino, indo para lá a Rainha e toda Sua Corte, tão grande era a capacidade deste
país. Portugal não tinha outra região mais fértil, mais próxima nem mais frequentada, nem também os seus vassalos melhor e
mais seguro refúgio do que o Brasil.
Decorridos cento e cinqüenta anos do projeto de Dom
João IV, é Dom João VI o seu executor em praxe, quando das invasões napoleônicas na Europa.
Ao que o Brasil é hoje, de seu melhor carácter, devemos
à esse grande estadista, que por destino sucedeu à seu irmão primogênito falecido, vindo a tornar-se Dom João VI, Rei de Portugal
e Imperador Titular do Brasil até o dia de seu passamento.
Feliz dia 8 de Março á todos os Brasileiros
- Devemos à el Rey a gratidão pela nossa cidadania!
Isaac Frank Katan
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